Saudade com cheirinho de lápis de cor…

LÁPIS DE COR

Saudade com cheirinho de lápis de cor…

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Eu carrego muita saudade gostosa em minhas lembranças. As da infância são as mais marcantes. Sou feliz filha única de pais adotivos que me deram muito amor desde o primeiro momento em que fui morar com eles, três dias após meu nascimento. Já nos primeiros anos de vida, lembro que meus pais me enchiam de presentes e brinquedos. Nada sofisticado, mas tudo dado com muito carinho para embalar meu mundo de menina.

Eu gostava muito das bonecas e dos brinquedos diversos, mas nada me encantava mais do que o colorido universo das caixinhas de lápis de cor. Felicidade para mim era sempre ter aquela aquarela para pintar, para colorir meus desenhos. Cada lápis me trazia um leque de oportunidade para colorir tantas coisas mágicas que povoavam minha imaginação de artista mirim.

Eu gostava de misturar os vários tons de verde para pintar enormes florestas. O amarelo e o laranja eram combinações perfeitas para lindos pores-do-sol. O azul e o marrom sempre davam as cores certas para minhas casinhas. Rosa e Vermelho eram invariavelmente usados nas roupinhas dos personagens de minhas artes. E assim eu viajava naquela quantidade de cores que abrilhantava meu universo.

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Eu também apreciava muito o cheirinho gostoso e viciante que vinha das caixas dos lápis. Não sei por que, mas sempre fui muito ligada a cheiros e os dos lápis me remetiam a coisas prazerosas como o de longas e tranquilas tardes de pinturas e brincadeiras na escola. Lembro-me que as professoras do jardim de infância, entre algumas atividades, davam-nos diversos desenhos para colorir como treino para a coordenação motora.

Já nessa época eu me policiava para pintar bem bonito, para fazer o traçado único e para nunca pintar fora da margem. Passei muito tempo sendo politicamente correta – a onça era sempre pintada de acordo com as cores que tinha, nunca pintava o macaco de azul (porque não havia macacos azuis) e as árvores eram sempre de folhas verdes assim como o sol era sempre amarelo.

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Até que, um dia, não sei como, perdi algumas das cores principais de minha caixinha. Chorei bastante. Como iria pintar o céu se não tinha mais o lápis azul? Minha mãe com doçura disse: “Pinta de verde, vai ficar bonito do mesmo jeito”. Eu chorosa respondi: “Mas não existe céu verde, mamãe!” E ela com sabedoria respondeu: “Esse céu é só seu. Você pode dar a ele a cor que quiser.” Eu ainda relutante, argumentei: “Se eu pintar de verde, vai deixar de ser céu.” E ela: “Por quê?”

Cabreira, fiquei pensando naquela proposta maluca de minha mãe. Então, mesmo com medo de a professora “brigar” por eu quebrar as regras, resolvi pintar o céu de verde. Minha mãe entendia de muitas coisas. Talvez ela estivesse certa, ponderei. Decidida, pintei o céu de verde. E naquela tarde ao mostrar para a professora meu desenho “diferente”, sem esperar que ela reparasse na troca da cor, eu me adiantei em justificar minha escolha. Eu disse que meu céu era verde porque eu tinha pintado a visão de um alienígena vendo a paisagem e que, no jeito extraterrestre de ver o mundo, as cores de todas as coisas eram trocadas. Para minha surpresa, a professora gostou muito de minha história e pediu que eu explicasse meu desenho para a turminha. Empolgada, fui às nuvens e dei asas à imaginação.  Nascia ali uma contadora de histórias cheias de fantasias a partir das cores dos lápis.

Hoje os lápis de cor tem espaço garantido e carinhosamente reservado em meu k-fofo! Eles me trazem gostosas lembranças da época em que comecei a dar cores aos meus sonhos.

by Iva

lápis de cor - amor

lindo para o site

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